Os bastidores da Auto Sabotagem

A Auto Sabotagem é um daqueles temas sensíveis, quase malandro – tal camaleão camuflado. Se analisarmos bem, é assunto que toca a muitos de nós – a maioria das vezes sem nos darmos conta! É, portanto, um óptimo tópico de reflexão. :D


Durante muitos anos vivi em auto sabotagem permanente sem que me desse conta. E ainda assim, com todo o trabalho que tenho feito comigo ao longo destes 15 anos, consigo ser surpreendida por este registo - especialmente quando saio da minha zona de conforto. Sou perita em arranjar desculpas e procrastinar, não porque não tenha capacidades, mas porque me é confortável estar como estou. O que vale é que, como já tenho algum conhecimento de mim - facilmente identifico quando me estou a sabotar, não permanecendo muito tempo no registo e começando a agir.


Afinal, o que é o acto de “auto sabotar”? É a capacidade que cada um de nós tem em criar estratégias e/ou obstáculos, sejam conscientes ou inconscientes, à realização de tarefas/acções e aos objectivos que desejamos alcançar.

E porque o fazemos? Porque acreditamos que não somos capazes, ficamos inseguros, pessimistas, depreciamo-nos e não agimos.

De onde vem a construção da ideia que temos de não acreditar em nós? A imagem e noção do que somos forma-se na nossa infância, sendo nesta altura que nos são transmitidos valores, padrões e crenças limitadoras, tanto pelos nossos pais como pelo meio envolvente. O que vivenciamos nesta fase, será a verdade que aceitamos e transportamos para a nossa vida futura.


Vou citar aqui algumas frases:


· És um/a preguiçoso/a, assim nunca chegarás a lado algum.

· Não fazes nada de jeito...

· És um/a inútil.

· Cala-te, que tu não sabes nada!

· Porque não estudas mais para tirares notas iguais à tua prima?

· Nunca fazes nada bem feito.

· A continuares assim, nunca serás ninguém na vida.

· Nunca toma atenção a nada!

· Anda sempre com a cabeça no ar.


Estas são exemplos de abordagens que nos são feitas em crianças (não querendo generalizar), tendo como base a minha própria infância/experiência e que, durante muitos anos, se transformam em crenças limitadoras, levando-me à auto sabotagem e que ainda se fazem presentes. Mesmo estando sempre a trabalhar em mim e sendo uma pessoa atenta ao “eu”, sei que muitos dos registos ficam guardados no nosso inconsciente. Só quando surgem é que os podemos olhar e transformar.


Ainda em crianças acabamos por acreditar que não merecíamos ser amados, valorizados, reconhecidos, etc. Este tipo de critica negativa acaba por nos fazer sentir errados, falhados, imperfeitos, maus, etc, e uma parte de nós acredita que agora não somos merecedores de receber o que a vida tem de bom para nós. É essa parte de nós que acredita que não somos merecedores que faz com que nos auto sabotemos, fazendo com que as nossas crenças se tornem reais e assim nos sintamos desvalorizados.


E ao acreditarmos que o outro é mais do que nós, estamos a sentir-nos menos que os outros, somando mais uma atitude de auto sabotagem.


Para trabalhar este tema, é preciso estarmos atentos a nós e fazermos um trabalho de auto conhecimento, reconhecendo as nossas crenças limitadoras. Necessitamos construir uma nova visão de nós como pessoas merecedoras de tudo de bom que a vida tem para oferecer.


Nós somos os criadores das nossas vidas.

Podemos criar a nossa vida de uma forma consciente através da atenção plena ao nosso ser, ou podemos criar a nossa vida a partir de atos inconscientes, camuflados na nossa sabotagem. E quando a criamos de forma inconsciente, desresponsabilizamo-nos e temos tendência para nos sentirmos vítimas de alguém (ler artigo escolhas e decisões).


O simples acto de olharmos para dentro de nós e aprendermos a reconhecer quem somos, assim como o aprendermos a olhar para o mundo e entender a complexidade da simplicidade, faz com que sintamos grandiosidade e o respeito por tudo o que existe. Nós fazemos parte deste Universo.


Quando nos auto sabotamos e achamos que somos menos que os outros, o que estamos a fazer, na realidade, é a desviar toda a atenção da nossa verdadeira identidade, estamos a afastar-nos do que temos de mais valor em nós, o simples facto de nos permitirmos: SER.


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